O Congresso terminou hoje e estou ligeiramente cansado e suficientemente animado para escrever minhas memórias sobre três dias que, para mim, foram inesquecíveis - e eu pretendo provar o porquê. Me refiro ao II Congresso de Práticas Processuais e Novas Tecnologias da Uninassau no Centro de Convenções de Pernambuco.
Atendimentos duvidosos em setores do Judiciário e a falta de reconhecimento do meu nome e da marca em locais-chave na atuação convenceram-me a pensar que o
é um elemento muito importante para um advogado/escritório e nada melhor do que patrocinar um evento onde sou professor.
A chuva no Recife não dava sinal de que iria passar, às vezes ela pregava-nos uma peça: algumas pequenas tréguas fazía-nos pensar que o tempo iria mudar mas, em seguida, a
novamente. As ruas alagadas obrigaram as Universidades (incluindo a Nassau) a cancelar suas aulas e meu coração ficava aflito com o evento.
Porém, eu coloquei um guarda-chuvas no carro, liguei o GPS e fui; graças a Deus, foi uma viagem tranquila entre Camaragibe-Olinda, malgrado as notícias.
Cheguei bastante cedo, antes mesmo de começarem a fazer o credenciamento pois não me lembrara de que o primeiro evento mesmo só teria início apenas às 19h. Fiquei sentado na sala onde tirei essa foto.
Assim como eu, muitos guerreiros(as) também se levantaram e, no horário certo, lotaram o auditório.
Uma das primeiras amizades que fiz foi com o mestre de cerimônias, o Jornalista Medeiros da Rádio Maranata, sem dúvidas uma das melhores aquisições do evento!
Porém, ficou claro em sua palestra que, mesmo não estando nos holofotes de outrora, Augusto Aras ainda está atento ao ambiente jurídico brasileiro e há de contribuir muito mais para a discussão nacional:
Assistindo a palestra estive sentado na compania do meu grande mestre e, para sempre, orientador,
, onde trocávamos impressões sobre oratória e linguagem ao mesmo tempo em que nos atualizávamos um ao outro sobre notícias das famílias.
Lourenço é um ser muito querido por todos. Qualquer pessoa próxima a ele já experimentou receber consideração de grandes nomes, respeito de colegas e o carinho dos alunos —
simplesmente por estar ao seu lado.
Exemplo disso é a relação afetuosa que construí com João Maurício Adeodato e Francisco Muniz há doze anos, e, nesta ocasião, a recepção calorosa da aluna Camily, da Uninassau Graças. Ao nos encontrar, ela fez um depoimento espontâneo em favor das aulas do Prof. Lourenço e me tratou com a mesma gentileza reservada a um professor que a tivesse acompanhado por vários semestres.
Nessas andanças, tive a graça e o prazer de encontrar minha amiga Profa. Karina Fonsêca, parceira da docência na Uninassau Caxangá e companhia sempre presente em momentos relevantes da minha vida acadêmica. Encontrei também a Profa. Isabella Taveira de Carpina, pessoa super agradável e de boa energia cujos caminhos gentilmente se encontram em eventos como esse.
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| Profa. Karina Fonsêca |
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| Profa. Isabella Taveira |
Sexta, mais chuva, e o dia da minha mesa com o Ministro Moura Ribeiro do STJ
A chuva, diferente da quinta, não estava para brincadeira. Não havia paradas, era muita água mesmo. O público não estava tão presente quanto no dia anterior e julgávamos que poderia ter uma queda em relação a abertura.
Quero, aqui, registrar meu agradecimento a Hallef Lamartine, estagiário do escritório, que, mesmo em meio a muitos desafios, esteve presente e ajudou a registrar boa parte da história que compartilho a seguir.
Anderson tinha me perguntado se eu estava bem para a banca e esse inquérito me fez pensar que eu precisava usar as palavras certas para tranquilizar a ele (que me confiou tamanha responsabilidade) e, ao mesmo tempo, afastar qualquer tipo de ansiedade que tentasse me abalar; pois bem, a frase que saiu ali mesmo foi:
"Difícil, para mim, é 'bater lage' 😁, eu nasci para fazer isso daqui [falar em público]"
Isso fez com que eu mudasse os planos sobre o que falar no interlúdio entre os palestrantes já que a palestra do Prof. Marcelo tinha leve diferença com a ideia da mesa que era a "Garantia Constitucional da Acessibilidade à justiça e às novas tecnologias" e a palestra do Dr. Marcelo envolvia a efetivação dos direitos fundamentais e o ativismo judicial.
De toda sorte o monólogo de abertura manteve-se intácto: queria chamar a atenção com algo que fosse pessoal, que fosse meu e que fosse engraçado.
Então, usei uma anotação no meu caderninho com as publicidades vendendo "IAs jurídicas" que recebi e que, juntas, prometiam substituir completamente o trabalho do advogado: ler, atender cliente, escrever, protocolar e acompanhar o processo.
Pensei também em contar minha experiência com o ChatGPT e o
Discurso de Gettysburg de Abraham Lincoln em 1863, mas já estávamos com algum atraso (quem sabe eu não conte essa história mais para frente).
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| Após a banca formada, eu fiz o monólogo de abertura. |
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Palestra do Min. Moura Ribeiro no Congresso da Uninassau |
Conforme combinado, passei a palavra para o Min. Moura Ribeiro que me garantiu que não iria extrapolar os seus 30 minutos e cumpriu religiosamente com isto.
Sua palestra foi enxuta e claríssima, ao demonstrar soluções tecnológicas capazes de conferir mais eficiência ao Judiciário e ao acesso à Justiça. Ressaltou, com precisão, que esse movimento não pode ocorrer de forma “livre, leve e solta”, como se costuma dizer, e apontou que certas lacunas legislativas ainda dificultam avanços mais ousados. Com isso, convocou alunos e corpo docente a assumirem o papel de ponte entre esses poderes.
Foi um cavalheiro e um douto. Eu anotava, o Dr. Marcelo anotava e, na primeira fileira, Henderson Furst transcrevia a íntegra do discurso.
Em seguida, para estabelecer a ponte entre a palestra do Ministro e a do Dr. Marcelo, retomei a problematização apresentada no início, acerca do aumento exponencial de demandas no Judiciário. Propus então a reflexão: essas novas tecnologias viriam para ampliar a qualidade ou apenas a quantidade dessas ações? Na sequência, compartilhei da visão de que o acesso à Justiça é, por si só, um direito fundamental — e também o instrumento por excelência para a efetivação de todos os demais. Com esse fio condutor, abri espaço para o segundo palestrante.
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| Outra foto do monólogo de abertura. |
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Conversando brevemente com o Ministro Moura Ribeiro enquanto pensava em como Finalizar a banca. |
Ao redigir as homenagens finais que faria aos palestrantes —
sempre efêmeras, individuais e alinhadas ao conteúdo de cada exposição —, veio-me à memória uma lição do juiz Gustavo Cisneiros, que aprendi quando era seu aluno de Direito do Trabalho no CERS. Ele contava que, ao fazer o concurso, ele e um colega responderam a mesma sentença com resultados distintos — e, ainda assim, ambos foram aprovados. O que fez a diferença, dizia ele, não foi acertar ou errar no sentido técnico da resposta, mas a
capacidade de argumentar com consistência.
Essa lembrança me levou a um ponto que considero central na discussão sobre o uso da inteligência artificial no Judiciário: a complexidade da própria divergência humana. Em sala de aula, costumo apresentar casos reais em que um juiz decide de uma forma, o desembargador reforma com outra interpretação, e o ministro do STJ ainda oferece uma terceira via.
Diante disso, a pergunta é inevitável: qual dessas decisões o ChatGPT — ou qualquer outro sistema — consideraria a mais plausível? Qual seria a “resposta certa” num mar de possibilidades humanas, todas juridicamente fundamentadas?
Porém, infelizmente, esse paralelo não se aplicava ao concurso do Ministro, e o “link” que havia imaginado já não me pareceu tão interessante naquele contexto. Em compensação, descobri com prazer sua trajetória na advocacia — um caminho que me tocou por outros motivos. Assim, deixei aquela ideia inicial para uma próxima oportunidade e para este blog.
Nesse meio-tempo, o público foi enchendo o local assim como a chuva fez o Canal do Fragoso transbordar em Olinda e, por essa bravura, a minha admiração por cada um dos alunos(as) ali presentes foi aumentando cada vez mais por isso e, então, me senti honrado.
No monólogo final, AO FALAR DO DR. MARCELO RIBEIRO, destaquei o que me chamou atenção: o fato de se tratar de um pós-doutor que consegue comunicar o direito de uma forma tão clara e gentil, de modo que citei que "a clareza é a gentileza do filósofo" (Ortega y Gasset).
Essa frase, eu conheci por meio de João Maurício Adeodato no dia da defesa da tese de doutoramento de Lourenço. Nunca me esqueci. Falando nele próprio, tive a oportunidade de revê-lo e neste dia o que foi uma experiência muito agrável!
AO FALAR DO MINISTRO, destaquei sua condição de magistrado que enfrentou grandes teses no STJ e que, mesmo podendo se reservar a palestras protocolares ou entrevistas seletivas, escolheu o diálogo acadêmico como espaço legítimo de construção. Reconheceu na universidade uma aliada essencial no debate público — o que torna sua indicação ao
Prêmio Nobel da Paz em 2020 motivo de honra, mas não de surpresa.
Concluídas as homenagens, tive a honra de entregar os certificados aos palestrantes. Encerrava-se, assim, aquela que, no meu sentir, era uma das mesas mais importantes do evento — e, permita-me, a mais importante de todas... ao menos para mim, que estava nela. 😁
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| Momento da entrega dos certificados aos palestrantes! |
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Com Henderson Furst no Congresso Uninassau |
Durante o evento, tive a oportunidade de conhecer melhor outros palestrantes entre os quais destaco o, já citado,
Henderson Furst.
Eu já havia assistido a alguns vídeos no YouTube com ele e, pessoalmente, confirmou tudo o que minhas impressões sugeriam: uma pessoa culta, agradabilíssima, elegante — e, acima de tudo, humilde o suficiente para me integrar naturalmente às conversas, mesmo em meio a autoridades de grande prestígio.
Confesso que quando soube que ele não poderia estar presente no sábado essa notícia me entristeceu genuinamente. É uma pessoa rara — e por isso, seu sucesso e reconhecimento não me causam qualquer surpresa.
Me reencontrei com uma amiga do ensino médio trabalhando na organização do evento, a Ericka Lins. Veja como eventos como esse podem nos reconectar com grandes amigos.
Após as despedidas, idas e vindas, tive a grata alegria de conhecer a
Profa. Lívia Mariane, que acaba de assumir a coordenação do curso de Direito da Uninassau Garanhuns. Gente boa demais, no melhor sentido da expressão: simples de coração, autêntica, e dessas presenças que fazem bem só por estarem ali. Seu sucesso é inevitável — e será uma honra acompanhar, mesmo que à distância. Que Deus a abençoe nessa nova caminhada.
Sábado, o encerramento do Congresso.
Estava feliz por várias razões nesse dia: o sol se abrira, eu dormi um pouco mais e, quando cheguei, consegui assistir, na íntegra, a palestra da
Profa. Fernanda Marinela, sumidade no Direito Administrativo que, da minha biblioteca, era uma das que eu mais queria conhecer.
Sua gentileza em me ouvir falar sobre minha pesquisa sobre Inabilitação Indevida renovou minhas energias e reforçou a confiança de que estou no caminho certo nessa empreitada, que seguirá até outubro, quando apresentarei meu comunicado de pesquisa sobre o tema.
Encontrei com as advogadas
Thaywanne Xavier e
Amanda Gonçalves, ambas ex-alunas (que orgulho!) que me perguntaram se eu subiria ao palco novamente naquele dia. Eu respondi que não tinha previsão, mas nunca se sabe!
De volta aos arredores do auditório, reencontrei o amigo e colega da Caxangá, Prof. Igor de Holanda — uma daquelas presenças que a gente sempre quer por perto. Culto, cavalheiro e de coração simples, tudo ao mesmo tempo, ele reúne qualidades que raramente se encontram juntas e que fazem bem só por estarem ali.
Enquanto conversávamos, ouvi a voz do
Dr. Paulo Rodrigo, diretor dos cursos jurídicos, chamando Nylo, Anderson, Lívia e outros coordenadores para o palco, então chamei meu amigo Igor para entrarmos prestigiar os colegas -
aparentemente teria uma homenagem ao trabalho deles.
Depois de chamar todos os coordenadores, Paulo me chama: "Adiel, cadê Adiel?" e eu, sem saber o que estava fazendo ali, apenas subi no palco e fiquei no último lugar mais afastado dele, veja (Paulo é o que está na tribuna, Lívia é a de cinza, Nylo é o que está de azul):
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| Coordenadores e eu sendo homenageados no Congresso Uninassau |
O microfone foi passando de mão em mão e eu me tremendo e fazendo um exercício de respiração guiada 😅.
Minha vez chegou e eu decidi falar do que meu coração estava cheio - era o caminho mais seguro.
Provavelmente eu tenha organizado as ideias aqui, mas pelo que me lembro foi algo como:
"Faz parte da vida do advogado receber um processo e ouvir de alguém: 'tem cinco minutos para ler e preparar a defesa', é algo mais ou menos assim que aconteceu aqui.
Porém, vendo vocês eu me lembro do meu primeiro congresso Uninassau, lá em 2013, Congresso Internacional de Direito Constitucional [eu errei o nome do congresso como se verá abaixo], estava no primeiro período da Faculdade Joaquim Nabuco: trabalhava bastante, chegava tarde, ia pra final, era uma loucura até conseguir estagiar e melhorar a situação.
O tempo passou, me tornei advogado, professor... [neste momento, perguntei a platéia: 'quem foi meu aluno aqui?' e alguns levantaram a mão, entre eles, Amanda e Thaywanne] Tudo isso me deixa muito feliz, porém, muitos olham para o resultado que eu tive ou para o resultado de alguns dos meus colegas aqui e gostariam de algo parecido, mas não tem atitude para fazer o que precisa ser feito.
E ao olhar vocês eu enxergo pessoas que fazem o que precisa ser feito, saíram na chuva, muitos de vocês devem ter pensado 'estou saindo mas não sei se volto' [alguns balançaram a cabeça afirmativamente].
Por isso, alguns se curvam perante quem tem muita visibilidade, muitos seguidores ou coisa assim, eu me curvo perante vocês que enfrentaram tudo para estar aqui e vivenciar esse momento. Parabéns e muito obrigado!"
Ufa! Como é bom guardar a memória dessas coisas que não foram gravadas! A foto que rondava minha cabeça foi a seguinte:
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| Foto de recordação do meu primeiro Congresso Uninassau, in memorian do Dr. Rodrigo Silva. |
A gentileza do Diretor Paulo me proporcionou momentos de boa conversa com os amigos Anderson, Nylo e os novos colegas Wilson Sena — coordenador do curso em Olinda, gente boa demais —, o Paulo do Comercial e a já citada Lívia. Entre risos e trocas espontâneas, ficou evidente aquilo que mais me faz sentir bem no Grupo Ser: o relacionamento leve e respeitoso que cultivamos uns com os outros, com a maturidade de quem sabe que, no universo corporativo, tudo é sempre passageiro.
Ninguém, nem o dono de uma empresa, fica nela para sempre; sempre digo isso para os empresários em minhas consultorias. Mesmo este, que consagrou sua vida a instituição, um dia dela sairá, irá se aposentar ou qualquer coisa assim. Como diria Mel Robbins "Let Them" (deixe-os ir), porém, a mesma autora diria "Let Me"(deixe-me), deixe-me fazer vínculos, amizades e comunhão pois essas coisas sobrevivem ao tempo.
Pude, ainda, assistir a palestra do
Defensor João Duque.
Pense num profissional bom de IA e de comunicação, mesmo eu que uso diariamente aprendi muito nesses minutos de palestra.
Depois fui prestigiar a apresentação dos artigos aprovados no Congresso, muito visando o IBDA em outubro, onde vou fazer a apresentação da minha comunicação de pesquisa.
Quando entro, me deparo com Maria Eduarda, uma aluna que já está bem no final do curso e, mesmo assim, apresentou um trabalho acerca da LGPD muito interessante com outros colegas, chamou-se, inclusive, a atenção da banca pela capacidade de comunicação típica de uma profissional muito bem formada, foi uma surpresa muito agradável, inclusive porque, na banca, estavam meus amigos Rafael Vilaça e Lourenço:
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Maria Eduarda apresentando o tema nos artigos e na banca, nas pontas, estavam Rafael (de preto) e Lourenço (de cinza). |
Lá assistindo tive a companhia da minha aluna Rayanna Vytória (hoje nas Graças, mas pagou a cadeira de Política, Estado e Democracia comigo, na Caxangá) e da Giovanna Marinho, aluna de Lourenço nas graças, ambas, devo registrar, tem muito futuro na área e terão inevitável sucesso caso permaneçam firmes. Inclusive Giovanna tirou a foto que fechou o evento para mim e sou muito grato por isso pois mesmo cansado, estava ao lado de grandes amigos:
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| Rayanna e Giovanna. |
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| Lourenço, Rafael e Eu |
Você esteve no congresso? Escreve nos comentários como foi tua experiência. Vamos fazer deste post um fórum em memória deste momento.
Gostei do " bater Lage ". Suas armas é a sua inteligência, sua comunicação, um computador e uma caneta. Você anota tudo o que é necessário. Parabéns pelo objetivo alcançado.
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